Este apêndice reúne ferramentas simples para ajudar você a aplicar o percurso apresentado ao longo deste guia.
Checklist do problema real
Antes de pensar na solução, verifique se o problema escolhido é claro, relevante e conectado à realidade de pessoas específicas. As respostas não servem para aprovar ou reprovar sua ideia, mas para indicar o que ainda precisa ser observado, conversado ou ajustado antes de avançar.
| Pergunta | Sim | Não | Dúvida |
|---|---|---|---|
| Consigo descrever o problema em uma frase clara? | ☐ | ☐ | ☐ |
| Sei quem vive esse problema no dia a dia? | ☐ | ☐ | ☐ |
| Sei onde esse problema acontece? | ☐ | ☐ | ☐ |
| O problema acontece com frequência? | ☐ | ☐ | ☐ |
| O problema causa impacto real na vida das pessoas? | ☐ | ☐ | ☐ |
| As pessoas já tentam resolver isso de alguma forma? | ☐ | ☐ | ☐ |
| Existem relatos, sinais ou dados que mostram que o problema existe? | ☐ | ☐ | ☐ |
| Consigo relacionar esse problema a um ODS? | ☐ | ☐ | ☐ |
| Consigo conversar com pessoas que vivem esse problema? | ☐ | ☐ | ☐ |
| Consigo imaginar um primeiro teste simples para entender melhor a situação? | ☐ | ☐ | ☐ |
Como interpretar suas respostas: se a maioria das respostas for “sim”, você provavelmente tem um problema real e pode avançar para a organização da solução, caso muitas respostas forem “dúvida”, talvez seja necessário observar mais, conversar com pessoas ou buscar dados antes de propor uma solução. Se muitas respostas forem “não”, o problema pode estar genérico demais ou ainda não ser o melhor ponto de partida. Um problema bem compreendido aumenta muito as chances de uma solução fazer sentido.
Roteiro de escuta
Depois de escolher um problema, o próximo passo é ouvir pessoas que vivem essa situação na prática, a escuta ajuda a confirmar se o problema existe, como ele aparece no cotidiano e quais tentativas de solução já foram feitas. A proposta não é convencer ninguém da sua ideia, mas compreender melhor a realidade antes de avançar. Escute com atenção, registre padrões e evite apresentar a solução cedo demais. Primeiro, entenda o problema.
Antes da conversa
Procure conversar com pessoas que realmente tenham contato com o problema. Podem ser moradores, estudantes, trabalhadores, clientes, educadores, gestores, empreendedores ou qualquer grupo diretamente afetado pela situação observada.
Perguntas orientadoras
| Pergunta | Anotações |
|---|---|
| 1. Você já viveu ou percebeu esse problema no seu dia a dia? | |
| 2. Em que situações esse problema costuma aparecer? | |
| 3. Com que frequência isso acontece? | |
| 4. O que esse problema dificulta, atrapalha ou impede? | |
| 5. Quem mais é afetado por essa situação? | |
| 6. Como você resolve ou tenta contornar isso hoje? | |
| 7. O que já foi tentado e não funcionou bem? | |
| 8. O que faria essa situação melhorar de forma simples? | |
| 9. Que tipo de solução você usaria, apoiaria ou recomendaria? | |
| 10. Existe alguma barreira para essa solução funcionar na prática? |
O que observar nas respostas
Ao final das conversas, procure identificar padrões, nem toda resposta isolada indica um problema real, mas quando várias pessoas relatam dificuldades parecidas, o problema começa a ficar mais claro.
Observe principalmente:
- Palavras que se repetem;
- Situações mencionadas por mais de uma pessoa;
- Soluções improvisadas que as pessoas já usam;
- Dificuldades que causam perda de tempo, dinheiro, acesso, segurança ou bem-estar;
- Barreiras que podem impedir a adoção de uma nova solução.
Síntese da escuta
Complete as frases abaixo para organizar o que você aprendeu:
- O problema aparece principalmente quando:
- As pessoas mais afetadas são:
- Hoje, elas tentam resolver assim:
- O que mais pesa nesse problema é:
- Uma solução faria sentido se conseguisse:
Depois dessa escuta, volte ao problema inicial e ajuste sua descrição. Muitas vezes, a primeira ideia muda quando ouvimos quem realmente vive a situação.
TECIS Canva para preenchimento
Depois de observar o problema e ouvir pessoas afetadas, use o TECIS Canva para organizar a primeira versão da sua iniciativa. Ele não precisa ser preenchido de forma perfeita. A ideia é transformar percepções soltas em uma proposta mais clara, simples e possível de testar.
Guia de validação em 7 dias
Depois de preencher a primeira versão do TECIS Canva, chega o momento de testar se a proposta faz sentido para pessoas reais. Use este guia como um roteiro simples de uma semana. Ao final dos 7 dias, você terá mais clareza sobre o problema, a proposta e o próximo passo.
| Dia | Foco | O que fazer |
|---|---|---|
| Dia 1 | Revisar o problema | Leia o bloco “Problema” do TECIS Canva e reescreva o problema em uma frase. Indique quem vive esse problema, onde ele acontece e por que ele importa. |
| Dia 2 | Definir quem ouvir | Escolha de 5 a 10 pessoas que vivem, observam ou são impactadas pelo problema. Podem ser usuários, clientes, estudantes, moradores, trabalhadores, educadores ou gestores. |
| Dia 3 | Fazer escutas rápidas | Converse com pelo menos 3 pessoas. Use perguntas simples para entender como o problema aparece no cotidiano e como elas tentam resolver isso hoje. |
| Dia 4 | Organizar aprendizados | Revise as conversas e identifique o que se repetiu: dores, dificuldades, soluções improvisadas, barreiras e necessidades reais. |
| Dia 5 | Ajustar a proposta | Volte ao bloco “Proposta” do TECIS Canva e ajuste a ideia com base no que você ouviu. Tente deixar a proposta mais simples, específica e possível de testar. |
| Dia 6 | Testar interesse | Apresente a proposta ajustada para algumas pessoas. Observe se elas entendem, demonstram interesse, fazem perguntas ou sugerem melhorias. |
| Dia 7 | Decidir o próximo passo | Com base no que aprendeu, escolha uma decisão: manter, ajustar, simplificar, mudar o público, testar novamente ou pausar a ideia. |
Perguntas finais da validação
O problema foi confirmado por pessoas reais?
A proposta foi compreendida com facilidade?
As pessoas demonstraram interesse, necessidade ou curiosidade?
O que precisa ser ajustado antes de avançar?
Qual será o próximo passo concreto?
Decisão após os 7 dias
Marque a opção que melhor representa o momento da sua proposta:
| Decisão | Marque |
|---|---|
| A proposta pode seguir para um primeiro protótipo. | ☐ |
| A proposta precisa ser ajustada antes de avançar. | ☐ |
| O problema precisa ser melhor investigado. | ☐ |
| O público escolhido talvez não seja o mais adequado. | ☐ |
| A ideia deve ser pausada ou repensada. | ☐ |
Modelo de pitch de 1 minuto
Depois de validar a proposta, é importante conseguir apresentá-la com clareza. Um pitch não precisa ser longo: em poucos minutos, ou até em um minuto, você deve conseguir explicar qual problema identificou, quem é afetado, qual caminho pretende seguir e o que será testado primeiro.
Use o modelo abaixo para organizar sua fala.
Estrutura do pitch
Identificamos o problema de ________________________________, que afeta ________________________________ em ________________________________.
Depois de observar essa realidade e ouvir pessoas envolvidas, percebemos que o melhor caminho inicial é ________________________________, porque ________________________________.
Nossa proposta é ________________________________, uma solução que busca ajudar ________________________________ a ________________________________.
Para validar essa ideia, nós ________________________________ e aprendemos que ________________________________.
Agora, o próximo passo será ________________________________, para testar melhor a proposta e entender como ela pode se tornar viável.
Checklist antes de apresentar
| Pergunta | Sim | Não | Ajustar |
|---|---|---|---|
| O problema ficou claro? | ☐ | ☐ | ☐ |
| O público afetado foi identificado? | ☐ | ☐ | ☐ |
| A rota escolhida faz sentido? | ☐ | ☐ | ☐ |
| A solução está conectada ao problema? | ☐ | ☐ | ☐ |
| A validação trouxe algum aprendizado real? | ☐ | ☐ | ☐ |
| O próximo passo está bem definido? | ☐ | ☐ | ☐ |
Um bom pitch não tenta impressionar pelo excesso de informação. Ele mostra clareza, coerência e conexão com a realidade. Quanto mais simples for a explicação, maior a chance de outras pessoas compreenderem, apoiarem ou contribuírem com a proposta.