CRIE INICIATIVAS DE INOVAÇÃO COM OS ODS

Da ideia à iniciativa

Problema, solução, proposta, validação e viabilização: um caminho prático para transformar intenção em ação.

Depois de analisar os ODS, identificar oportunidades e visualizar ideias possíveis, chega o momento decisivo: transformar tudo isso em algo concreto. Muitas pessoas possuem dificuldades nessa etapa, devido à falta de um caminho claro e simples para organizar a ideia e dar o primeiro passo.

Foi pensando nisso que desenvolvemos uma ferramenta que simplifica o processo de inovação baseada em problemas em um único modelo: o TECIS Canva. O objetivo é fazer você caminhar da oportunidade para a ação de forma leve, prática e realista. Para isso não é necessário planos longos, linguagem técnica ou diagramas complexos, o objetivo é você escrever pouco, pensar com clareza e começar pequeno.

O TECIS Canva dialoga com ferramentas consagradas de inovação como o Business Model Canvas, de Osterwalder e Pigneur, e o método Lean Startup, de Eric Ries, mas foi simplificado para ser acessível a quem está começando. Para isso consideramos cinco etapas: Problema, Solução, Proposta, Validação e Viabilização. A seguir, vou guiar você por cada uma, com explicações diretas e exemplos reais.

TECIS Canva organizado em Problema, Solução, Proposta, Validação e Viabilização

Problema: entender antes de resolver

Toda inovação começa com um problema real, logo antes de pensar em uma solução, proposta, plataforma ou negócio, é fundamental compreender o que pode ser melhorado ou criado na situação que você deseja transformar. O foco não é ter respostas rápidas, mas ganhar clareza, de modo a minimizar as chances do seu projeto falhar. No TECIS Canva, o bloco “Problema” existe justamente para forçar esse exercício de observação. Olhe para a realidade como ela é, sem tentar ainda “consertar” nada. Descreva o problema de forma simples e concreta, evitando frases genéricas como “falta de oportunidades” ou “as pessoas não se engajam”. Problemas reais têm lugar, pessoas e contexto.

É muito diferente dizer “empresas têm dificuldade para contratar” e dizer “empresas pequenas do interior do Rio Grande do Sul não conseguem encontrar candidatos preparados porque as vagas ficam espalhadas em redes sociais diferentes”. A segunda frase carrega muito mais informação e já aponta caminhos possíveis. Quanto mais localizado o problema, mais fácil será pensar em uma solução viável.

Identifique também quem vive esse problema no dia a dia. Não basta dizer que “a comunidade” é afetada. Pergunte-se: quem sente esse problema com mais intensidade? Quem lida com isso toda semana, ou todos os dias? Reflita ainda sobre intensidade e frequência: o problema é recorrente? Gera apenas incômodo ou causa prejuízos reais financeiros, emocionais, sociais? Esses detalhes ajudam a entender se vale a pena investir tempo e energia na ideia.

Nesta etapa não existe certo ou errado. O objetivo não é escrever bonito nem acertar de primeira, mas enxergar melhor a realidade. Muitas vezes, só o fato de escrever o problema com clareza já muda a forma como você pensa a ideia. Quando você termina esta parte com um problema bem descrito, a inovação deixa de ser abstrata e passa a ter chão.

Solução: como o problema pode ser resolvido

Depois de compreender o problema, surge naturalmente a vontade de “resolver tudo de uma vez”. Mas aqui é importante fazer uma pausa. O objetivo desta etapa não é criar a solução perfeita, e sim imaginar uma forma possível de melhorar a situação identificada. A solução nasce como resposta direta ao problema descrito antes e precisa estar claramente conectada a ele. Se o problema está bem definido, a solução começa a aparecer quase como consequência.

Se você sente dificuldade para pensar na solução, isso muitas vezes indica que o problema ainda precisa ser melhor entendido. Ao pensar na solução, tente responder a uma pergunta simples:

O que poderia ajudar essa pessoa, nesse contexto específico, a lidar melhor com esse problema?

A solução não precisa ser tecnológica nem inovadora no sentido tradicional. Muitas soluções de impacto são, na verdade, organizações melhores de algo que já existe, novos jeitos de conectar pessoas ou formatos mais simples de acesso a informações e oportunidades. Evite exageros nesta etapa: não pense ainda em plataforma completa, sistema robusto, equipe grande ou estrutura formal. Pense na lógica da solução o que ela faz, como atua sobre o problema, o que muda na vida de quem será impactado.

Verifique também se a solução é realista dentro da sua realidade. Você não precisa dominar todas as habilidades agora, mas precisa enxergar um caminho possível. Soluções muito distantes do seu contexto tendem a travar antes mesmo de serem testadas. E não se assuste se já existirem soluções parecidas: isso costuma indicar que o problema é real. A diferença estará no recorte, no público, no contexto local ou na forma de execução. Ao final desta etapa, você deve conseguir explicar sua solução em poucas frases.

Proposta: o que, de fato, será feito

A proposta é o momento em que você deixa de falar apenas em “ideia” e começa a definir o que será feito no mundo real. Não é ainda o projeto final nem um plano completo, mas já é uma escolha clara de formato. É a resposta à pergunta:

Se eu tivesse que começar agora, o que exatamente eu faria?

Muita gente confunde solução com proposta. A solução é o conceito, aquilo que resolve o problema. A proposta é a materialização inicial dessa solução: define o formato, o meio e a primeira entrega. Por exemplo, a solução pode ser “facilitar o acesso a vagas de emprego em cidades pequenas”; a proposta pode ser “criar um site simples onde empresas locais publicam vagas e a comunidade se candidata pelo celular”.

Um exercício ajuda muito aqui: a proposta deve caber em uma única frase. Para testar, complete a estrutura abaixo.

Quero criar / abrir / desenvolver um (a) ______________ que vai resolver o problema de ______________ para ______________ situados (as) em ______________.

Por exemplo: “Quero desenvolver uma plataforma que vai resolver o problema de empregabilidade para empresas e pessoas da comunidade situadas em cidades do interior do Rio Grande do Sul. ”

Essa frase não precisa estar perfeita nem definitiva; funciona como ponto de checagem. Quando você consegue completá-la com facilidade, a proposta já está clara o suficiente para avançar. Pense em algo possível de executar com os recursos que você tem ou consegue mobilizar, quanto mais simples, melhor. É também o momento de pensar em quem participa: você vai precisar de parceiros? Alguém precisa divulgar? Existe instituição, empresa ou grupo que pode ajudar?

Evite propostas muito amplas. “Criar uma plataforma nacional” ou “resolver o problema em todo o país” dificultam o início. No TECIS Canva, a proposta deve nascer pequena, localizada e testável. Uma cidade, um bairro, uma escola ou um grupo específico já são suficientes para começar.

Validação: testar antes de construir

Depois de definir a proposta, surge a vontade de “colocar tudo em funcionamento” o quanto antes. No entanto, um dos erros mais comuns em projetos e negócios é investir tempo, energia e recursos em algo que ainda não foi testado. A etapa de Validação existe para evitar isso. Ela é o coração da abordagem Lean Startup: construir uma versão mínima, medir a reação real das pessoas e aprender com ela antes de escalar.

Validar não significa lançar o projeto completo nem ter todas as respostas. O objetivo é confirmar se existe interesse real na proposta que você desenhou descobrir se as pessoas para quem você está criando realmente enxergam valor naquilo. A pergunta central deixa de ser “como faço isso melhor? ” e passa a ser “alguém se importa com isso?”. Se a resposta for sim, você segue com mais segurança; se for não, ajusta antes de avançar.

A validação deve ser simples, rápida e próxima da realidade das pessoas. Não é necessário criar sistemas, produtos acabados ou grandes campanhas. Muitas vezes, uma conversa bem conduzida revela mais do que semanas de planejamento. Ferramentas simples fazem diferença: um grupo de WhatsApp pode bastar para testar interesse; um formulário curto ajuda a entender se as pessoas enfrentam aquele problema; uma conversa presencial revela dúvidas, resistências e expectativas que não apareceriam em um planejamento teórico.

Durante a validação, observe as reações: as pessoas entendem a proposta com facilidade? Fazem perguntas? Demonstram interesse? Pedem mais informações? Às vezes o problema existe, mas a forma de apresentar a proposta precisa mudar; em outros casos, o público é o mesmo, mas a solução precisa de ajustes. Validar não é buscar a aprovação de todo mundo é identificar padrões. Existe um grupo que realmente se interessa? Esse grupo sente que a proposta resolve algo importante? Se sim, você tem um sinal claro para avançar.

Viabilização e Sustentação: tornar a proposta real e possível

Depois de validar a proposta e perceber que existe interesse real, chega o momento de tornar a ideia viável no mundo real. A viabilização não é sobre crescer rápido ou estruturar tudo de uma vez, mas sobre transformar a proposta em algo que funcione de forma consistente. Ela responde à pergunta:

O que precisa acontecer para que essa proposta exista de verdade?

Aqui entram decisões práticas de execução: recursos mínimos necessários, tempo disponível, parcerias possíveis e ajustes para sair do teste e entrar em uma versão funcional. Mantenha o princípio que guiou todo o processo: começar pequeno e com os pés no chão. Viabilizar não significa profissionalizar tudo imediatamente, mas organizar o essencial para que a proposta continue existindo depois da validação. Muitas vezes, a viabilidade está mais ligada à organização do que ao investimento financeiro.

É também nesta etapa que entra a sustentação. Sustentar não é, necessariamente, ganhar dinheiro imediatamente, mas garantir que a solução não dependa apenas de esforço pontual ou voluntário indefinido. Para alguns projetos, a sustentação vem de parcerias, apoio institucional, patrocínios ou editais; para outros, pode fazer sentido introduzir uma forma simples de geração de receita.

O importante é compreender que a monetização não é o ponto de partida do método, mas pode e deve ser considerada quando a solução já demonstrou valor.

No caso de um negócio ou plataforma, a pergunta passa a ser: quem se beneficia a ponto de estar disposto a pagar? Nem sempre é o mesmo público que usa a solução. Em muitos casos, quem paga não é quem usa diretamente, mas quem se beneficia do impacto gerado.

É aqui também que você começa a organizar responsabilidades: quem faz o quê? O que depende só de você? O que pode ser compartilhado ou delegado? Ao final desta etapa, você deve ter clareza sobre três pontos:

  • O que é necessário para a proposta funcionar?
  • Como ela pode se sustentar?
  • Qual é o próximo passo concreto para seguir adiante?

Quando você chega até aqui, a ideia deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a ser um projeto real, com base em problema, validação e execução. Esse é o coração da inovação baseada em problemas e é exatamente isso que o TECIS Canva foi criado para apoiar.

Prática: um exemplo aplicado

Métodos só ganham sentido quando testados em situações reais. Por isso, vale visualizar como o TECIS Canva funciona aplicado a um problema concreto. A proposta desta seção é sair do campo conceitual e demonstrar como a estrutura organiza raciocínio, decisão e viabilidade na prática.

O exemplo escolhido está relacionado à ODS 8: Trabalho Decente e Crescimento Econômico, por abordar um desafio recorrente em cidades de pequeno e médio porte: a dificuldade de conexão entre pequenas empresas e pessoas em busca de oportunidades locais.

O modelo foi desenvolvido pelo TECISlab a partir da experiência prática com a iniciativa Vagas na Cidade, uma plataforma criada para fortalecer economias locais ao conectar empresas e profissionais dentro do próprio município.

O valor do método não está na ideia em si, mas na clareza do caminho percorrido para transformá-la em algo viável.

Ao percorrer o exemplo, observe a coerência entre cada bloco do TECIS Canva: como as decisões se conectam e como cada elemento reforça o outro. Esse encadeamento é o que permite que uma iniciativa deixe de ser apenas intenção e se torne estratégia aplicável.

Perceba também que o modelo não depende de grandes recursos ou estruturas complexas. Ele organiza o pensamento e, pensamento estruturado reduz riscos, aumenta consistência e amplia as chances de implementação real.

TECIS Canva preenchido com o exemplo da Plataforma de Empregabilidade

Mão na massa: agora é a sua vez

Até aqui, você percorreu um caminho completo: entendeu por que inovar a partir de problemas reais, usou os ODS como bússola para enxergar oportunidades e conheceu um método simples para transformar ideias em propostas viáveis. Agora é hora de colocar isso em prática.

Neste módulo você encontrará o TECIS Canva pronto para ser preenchido. Ele foi pensado para uso individual ou em grupo, em sala de aula, oficinas, projetos comunitários ou no desenvolvimento de uma ideia própria. Não existe resposta certa ou errada: o objetivo não é acertar de primeira, mas organizar o pensamento, testar possibilidades e dar o primeiro passo com mais clareza.

Use o TECIS Canva como um rascunho vivo: escreva, ajuste, volte, refine. Escolha um problema que você conhece bem, relacione-o a uma ODS e preencha cada bloco com honestidade e simplicidade. Quanto mais conectado à realidade, mais útil será o resultado. Ao final, você terá algo concreto nas mãos: não apenas uma ideia, mas um projeto possível, pensado a partir de um problema real e pronto para ser testado no mundo. Para facilitar a aplicação, o TECIS Canva está disponível em versão editável. Acesse, duplique e utilize livremente clicando aqui.

Modelo TECIS Canva para preenchimento
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